HISTÓRIA DA OCUPAÇÃO E USO DO SOLO NA BACIA DO CÓRREGO CERCADINHO
Segundo Barreto (1996), o marco inicial do povoamento da região do Córrego Cercadinho
foi em 1701, quando o bandeirante João Leite da Silva Ortiz apossou-se de terras que se
estendeu por várias microbacias do Ribeirão Arrudas. Esse local, que na época era
conhecido como Fazenda do Cercado, foi herdado por vários proprietários, até
que em 1749 acabou em mão de Alferes de Dragões Antônio Teixeira Pinto, até vim a ser
apossada por Antônio de Souza Guimarães e depois pela família dos Cândidos.
Conforme Vianna (1997), em 25 de novembro de 1894, para que a desapropriação da área
ocorresse, a fim de iniciar atividades para a implantação da nova capital, produziu-se o
Relatório Fazenda do Cercado, por G. Verschneider a fim de descrever os mananciais
encontrados na fazenda. Tal documento mostrou a importância dos mananciais para o
aproveitamento do serviço de abastecimento na região que, de acordo com Vianna (1997),
proporcionou a chegada de futuros habitantes, tendo um importante papel na viabilização e
no abastecimento da cidade. A partir daí, inicia-se um processo de ocupação imobiliária
que, nos dias de hoje, chegou a uma situação bastante insuportável.
A história da ocupação dessa área iniciou-se aos arredores da estrada do Cercadinho
(atual rua Paulo Piedade Campos), sendo que os pontos de partida foram os bairros Prado
e Calafate. Seguindo em direção ao vetor sudoeste da microbacia do Córrego Cercadinho,
aprovou-se a construção dos bairros Nova Suíça, Vila Adelina, Jardim América, Vila
Ambrosina e Vila Progresso, se destacando até então como eixo de maior crescimento em
relação ao restante da capital PBH (1995).
Na década de quarenta, surgiu o que atualmente chama-se de bairro Salgado Filho,
predominando moradias para população de baixa renda. Já na década de cinqüenta,
segundo a Fundação João Pinheiro (1997), a região oeste não apresentou mudanças
significativas em relação ao crescimento urbano, o qual voltou a se desenvolver em
meados da década de sessenta, se intensificando, assustadoramente, na década de oitenta.
Uma considerável população de baixíssima renda começou a se aglomerar nas
proximidades do Córrego do Cercadinho. De acordo com a PBH (1995), surgiram bairros
como Havaí e Palmeiras que possuíam características bem desorganizadas em se tratando
de planejamento urbanístico. Essas edificações foram construídas nas margens do córrego,
apresentando características de áreas invadidas como a irregular divisão dos lotes e a
presença de becos. Essas casas que avançam sobre o talude do córrego e são sustentadas
por gabiões inseridos nas margens, são locais propícios a desabamentos, principalmente na
época das chuvas, além da ocorrência de outro fator problemático que é a ausência de
saneamento, pois os esgotos são livremente despejados no córrego, poluindo suas águas.
A implantação da Avenida Raja Gabaglia serviu como ponte de acesso a bairros que
surgiam na região. Até então, se tratava de edificações com no máximo três pavimentos,
até que na década de oitenta, implantou-se o Conjunto Habitacional Paineiras
(Condomínio Estrela D`alva), o qual apresentava edifícios de quatro e dez andares. Esta
ocupação ocasionou no aumento do nível de verticalização, contrariando as normas até
então respeitadas (FERREIRA, 2001).
Em meados da década de oitenta, ocorreu o surgimento de alguns prédios os quais
formavam os bairros Estoril e Buritis. Estabelecia-se ali, no Alto Cercadinho, além de
alguns habitacionais, várias quadras de tênis, sem se esquecer de citar a presença da
Construtora Mendes Junior e da Escola Americana.
A via principal do Alto Cercadinho (Avenida Professor Mário Werneck) serviu como
ponto de referência para um rápido crescimento (sem planejamento) de uma malha urbana,
que na década de noventa, mostrou um intenso processo de ocupação. Oferecia-se no
local, imóveis com valores mais baixos do que a média no mercado, acarretando em alta
demanda e conseqüentemente em novas construções (FERREIRA, 2001).
Centros Universitários e restaurantes surgiam aos arredores, agravando ainda mais a
situação, a qual, já se configurava, sobretudo, em relação ao trânsito local. A Empresa de
Transporte e Trânsito de Belo Horizonte (BHTRANS), localizada nas proximidades,
tentou e ainda tenta buscar alternativas de planejamento viário, mas ainda sem nenhum sucesso.

Foto do Conjunto Estrela Dalva na década de 80